Mato Grosso, Terça-Feira, 22 de Setembro de 2020     
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Faculdade Indígena Intercultural

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FACULDADE INDÍGENA INTERCULTURAL-FAINDI-UNEMAT

      A Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, cumprindo um de seus princípios voltados à valorização da diversidade cultural brasileira, no ano de 2001, coloca em funcionamento um de seus mais ousados projetos: a oferta de graduação específica e diferenciada para indígenas.

      Preocupada com a qualificação dos professores que atuavam/atuam nas escolas em aldeias indígenas, a instituição passou a ofertar o curso de Licenciatura Específica para Formação de Professores Indígenas, com três habilitações: Línguas, Artes e Literatura; Ciências Matemáticas e da Natureza e Ciências Sociais.

      Para a primeira turma (2001-2006), foram ofertadas 180 vagas para Mato Grosso e 20 vagas para demais Estados do Brasil; destas, formaram-se 186 alunos. Desses outros Estados, a Unemat graduou acadêmicos representantes dos seguintes povos: Kaxinawa (AC), Manchineri (AC), Wassu Cocal (AL), Baniwa (AM), Tikuna (AM), Baré (AM), Pataxó (BA), Tuxá (BA), Tapeba (CE), Tupinikim (ES), Potiguara (PB), Kaingang (RS e SC) e Karajá (TO).

      Em 2005, teve início a segunda turma (2005-2009), com 100 vagas oferecidas somente para indígenas de Mato Grosso, das quais foram graduados 90 acadêmicos. Para a terceira turma (2008-2012), foram ofertadas 50 vagas e, para a quarta turma (2012-2015), mais 50 vagas.

      No ano de 2012-2016, além dos cursos de Licenciaturas Intercultural (2011-2016), a UNEMAT passou a ofertar também o curso de Licenciatura em Pedagogia Intercultural, para o qual abriu 50 vagas, todas ocupadas por professores de aldeias indígenas, pertencentes a 32 povos do Estado de Mato Grosso. A finalidade do curso é a formação de docentes para atuar na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, Médio e na Gestão da Educação Escolar Indígena.

      A partir do segundo semestre de 2015, a Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT passou a atender 120 acadêmicos, sendo 60 do curso de Licenciatura em Pedagogia Intercultural e 60 das Licenciaturas Intercultural, pertencentes às seguintes etnias: Apiaká, Aweti, Bakairi, Bororo, Cinta Larga, Chiquitano, Ikpeng, Manoki/Irantxe, Juruna, Kalapalo, Kamaiurá, Karajá, Kayabi/Kawaiwete, Kuikuro, Matipu, Mebêngokrê, Mehinako, Myky, Munduruku, Nafukwá, Nambikwara, Paresi, Rikbaktsa, Paíter/Suruí, Kisêdjê/Suyá, Tapayuna, Tapirapé, Terena, Trumai, Umutina, Waurá, Xavante e Yawalapiti.

      Além dos cursos de graduação, ofertados no período compreendido entre 2001 a 2015, foram ofertadas três especializações Lato Sensu em Educação Escolar Indígena, com a participação de professores indígenas graduados e interessados de diferentes instituições que atuam em questões indígenas.

      Resultante dessa trajetória, hoje a Faculdade Indígena Intercultural conta com um acervo de aproximadamente 3.700 publicações disponíveis na biblioteca, entre elas, a Série Institucional, Série Experiências Didáticas, Série Práticas Interculturais, mais de 5 mil fotos registradas e cerca de 57 mil documentos catalogados. Também já foram desenvolvidos projetos de pesquisa, em parceria com o CNPQ, CAPES e FAPEMAT, bem como, o projeto PIBID-DIVERSIDADE, que contou com o financiamento da CAPES, intitulado: “Elaboração de Materiais Didáticos nas Escolas Indígenas de Mato Grosso” (2011-2013), que resultou na publicação de quase 70 livros para apoio didático nas escolas indígenas de Mato Grosso.

      Em 2014, foi aprovado a segunda edição do projeto “Elaboração de Materiais Didáticos nas/para as escolas indígenas de Mato Grosso”, do programa PIBID-DIVERSIDADE, com o apoio da CAPES, destinado a 100 bolsistas, que também resultou na produção de 96 livros para apoio didático nas escolas indígenas de Mato Grosso. Projeto este que atingiu de forma direta, mais de 70 escolas estaduais e municipais. Este projeto sofreu alterações, devido ao corte de bolsas de iniciação à docência e, atualmente, atende a 29 bolsistas dos cursos de Licenciaturas Indígenas da instituição.

      No ano de 2017, a Faculdade Indígena Intercultural sediou o I Congresso de Línguas Indígenas de Mato Grosso e a II Jornada dos Povos do Brasil: Educação, Territórios e Identidades, eventos de caráter científico que reuniram linguistas do país, professores indígenas de diversas etnias do Estado e grupos sociais organizados. Nesse processo de difusão de saberes e conhecimentos, estabeleceu-se diálogos interculturais e contra hegemônicos. Tais eventos foram financiados pela FAPEMAT e CAPES, respectivamente.

      Em 2018, realizamos o II Congresso de Línguas Indígenas de Mato Grosso, aprovamos projetos de pesquisa via CNPQ, desenvolvemos projetos de extensão com oficinas pedagógicas nas aldeias, voltados para a qualificação de professores.

      Em mais de 16 anos de Educação Escolar para indígenas, a instituição já formou/graduou 450 professores indígenas em Licenciaturas Intercultural: Línguas, Artes e Literatura; Ciências Sociais, Ciências Matemática e da Natureza, e Pedagogia e especializou 140 professores. Dos 450 professores Indígenas formados por essa instituição, 43 são do curso de Licenciatura em Pedagogia Intercultural e apresenta-se da seguinte forma: 01 Apiaká, 02 Bororo, 02 Chiquitano, 03 Cinta Larga, 02 Ikpeng, 01 Irantxe, 01 Juruna, 01 Kalapalo, 01 Kamaiurá, 02 Kayabi, 01 Mebêngokrê, 01 Munduruku, 02 Myky, 02 Rikbaktsa, 02 Suruí, 01 Suyá, 02 Tapayuna, 04 Tapirapé, 03 Terena, 01 Umutina, 01 Waurá, 07 Xavante.

      Os outros são egressos das demais Licenciaturas e se apresentam conforme a descrição que se segue: Línguas, Artes e Literaturas: 02 Apiaká, 01 Aweti, 06 Bakairi, 01 Baniwa, 09 Bororo, 02 Chiquitano, 02 Ikpeng, 01 Irantxe, 01 Yawalapiti, 01 Kaingang, 01 Kamaiurá, 02 Karajá, 03 Kayabi, 01 Kuikuro, 01 Matipu, 02 Meninako, 02 Nambikwara, 01 Nafukuá, 03 Mebêngokrê, 07 Paresi, 05 Rikbaktsa, 02 Suyá, 01 Suruí, 07 Tapirapé, 03Terêna, 01 Trumai, 05 Umutina, 26 Xavante, 01 Waurá, 01 Zoró, totalizando formação de 96 professores nessa área. Em Ciência Matemática e da Natureza: 09 Bakairi, 01 Baniwa, 15 Bororo, 02 Chiquitano, 03 Ikpeng, 02 Irantxe, 01 Yawalapiti, 01 Kaingang, 03 Karajá, 07 Kayabi, 01 Kuikuro, 01 Matipu, 01Munduruku, 02 Nambikwara, 01 Nafukwá, 03 Mebêngokrê, 01 Myky, 08 Paresi, 06 Rikbaktsa, 01 Suruí, 01 Tapeba, 06 Tapirapé, 07 Terena, 01 Tuxá, 05 Umutina, 38 Xavante, 01Wuará, 02 Zoró, perfazendo um total de 110 professores nesta área do conhecimento. Nas Ciências Sociais: 01 Apiaká, 01 Aweti, 07 Bakairi, 01 Baré, 10 Bororo, 02 Ikpeng, 03 Irantxe, 01 Kaingang, 02 Kamaiurá, 04 Karajá, 01 Kaxinawa, 01 Kayabi, 01 Kuikuro, 02 Kalapalo, 02 Meninako, 02 Mebêngokrê, 01 Panará, 03 Paresi, 02 Pataxó, 01 Potyguara, 02 Rikbaktsa, 01 Suyá, 01 Tapeba, 07 Tapirapé, 02 Terena, 01Ticuna, 01 Trumai, 01 Tukano, 05 Umutina, 38 Xavante, 01 Waurá, 02 Zoró, totalizando 110, nesta área.

      A instituição tem experiência com a formação de professores indígenas e tem primado pela oferta de cursos com articulação entre movimento indígena, discussões de território dos povos indígenas, valorização da identidade e da cultura e, acima de tudo, tem promovido diálogos interculturais entre diferentes conhecimentos, saberes, valores e princípios cosmológicos dos povos originários do Brasil. Assim, mostra-se comprometida com a formação dos professores indígenas.

      Diante dessa trajetória na formação de professores indígenas, a UNEMAT, por meio da Faculdade Indígena Intercultural – FAINDI, lança-se a mais um desafio em responder a reivindicações constantes dos povos indígenas do Estado, acerca da formação continuada em nível Stricto Sensu, em consonância com o Art. 5º da resolução CNE/CP nº 1, de 07 de janeiro de 2015, aprovando o primeiro Mestrado profissional específico para professores indígenas, “Ensino em contexto Indígena Intercultural

      Com isso, almejamos concretizar mais um passo no sentido de proporcionar o que é de direito aos povos indígenas, ou seja, a formação continuada de qualidade, específica e diferenciada.

Equipe FAINDI

ENSINO

LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA

PEDAGOGIA INTERCULTURAL INDÍGENA

ETAPAS PRESENCIAIS

ETAPAS INTERMEDIÁRIAS

 PESQUISA

“Aspectos fonéticos e fonológicos da língua nambikwara: subgrupos Mamaindê, Negarotê. Kithaulu e Wakalitesu” (Portaria 297/2018-UNEMAT)

“Fonologia das línguas nambikwara: subgrupos Mamaindê, Negarotê, Kithaulu, Wakalitesu, Alantesu, Hahaintesu e Wasusu” (CNPQ)

PESQUISA E EXTENSÃO

“Ciranda de Mulheres Indígenas: Educação, Saúde e Movimento Indígena”, coordenado pela professora Waldinéia Antunes de Alcântara Ferreira

“Tradução/versão Documental da Declaração Universal dos Direitos Humanos na Língua Xavante”, sob a coordenação do professor Dr. Wellington Pedrosa Quintino.

EVENTOS

CONGRESSO DE LÍNGUAS INDÍGENAS DE MATO GROSSO

 

HISTÓRIA DA FACULDADE INDÍGENA

1995 – Criação do Conselho de Educação Escolar Indígena – CEI/MT

  • Fortalecimento do movimento dos professores indígenas.
  • Espaço de discussão, reflexão e luta pela educação escolar indígena.
  • Reivindicação da formação continuada de professores indígenas através de cursos específicos e diferenciados.

 

1997 – Criação da Comissão Interinstitucional e Paritária

  • Início das discussões sobre formação de professores em nível superior.
  • Estabelecimento de grupos de trabalhos entre CEE/MT, Universidades Estadual e Federal, CAIEMT, SEDUC, FUNAI, CEI/MT, Representantes Indígenas.

 

1998 – Elaboração do Anteprojeto

  • Diretrizes gerais da proposta.
  • Construção coletiva de um documento.
  • Participação efetiva dos representantes indígenas.
  • Encaminhamento do documento para análise e contribuições de diferentes segmentos envolvidos com a questão indígena

 

1999 – Elaboração do Projeto

  • Elaboração final do documento.
  • Discussão com as comunidades e os professores indígenas.
  • Entrega do projeto ao Governo do Estado

 

2000 – Negociações políticas e financeiras

  • Busca de apoio político.
  • Assinatura dos convênios.
  • Aprovação nos Colegiados da Universidade.
  • Dificuldades: discriminação, abandono dos colegas, a luta pelo projeto

 

2001 – Implementação do Projeto

  • Realização do Vestibular.
  • Preparativos para a I Etapa.
  • Início das aulas

 

JUSTIFICATIVA DO PROJETO E DOS CURSOS

      Trata-se de cursos que vêm ao encontro às expectativas dos povos indígenas, Longe de serem instrumentos de alienação “reprodutivista, etnocentrista ou integracionista”,

      Os cursos buscam reelaborar os processos históricos e atuais dos contatos interculturais e fortalecer a consciência de índios-cidadãos que mantêm as suas culturas, línguas e os seus projetos societários.

      Portanto, o modelo de atendimento individualizado utilizado até aqui para acomodar a demanda de educação escolar indígena deve ser imediatamente substituído por novas estratégias que assegurem a oferta de ensino regular nas próprias aldeias e garanta às sociedades indígenas o direito a uma educação específica, diferenciada e em todos os níveis. É preciso democratizar o acesso e garantir o percurso escolar a todos os interessados.

Rede Social


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