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Unemat reconstrói face de indígena que viveu há mil anos em Mato Grosso
CÁCERES
Unemat reconstrói face de indígena que viveu há mil anos em Mato Grosso
01/12/2017 16:26:07
por Nataniel Zanferrari
Foto por: Cícero André da Costa Moraes
Feita pela Unemat, a primeira reconstrução facial forense é de um indígena mato-grossense do ano 1000, originário do Sítio Arqueológico Índio Grande, na área de Descalvados, em Cáceres
Feita pela Unemat, a primeira reconstrução facial forense é de um indígena mato-grossense do ano 1000, originário do Sítio Arqueológico Índio Grande, na área de Descalvados, em Cáceres

A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) realizou a primeira reconstrução facial forense com base em um crânio indígena mato-grossense, do ano 1000, originário do Sítio Arqueológico Índio Grande, que abriga vestígios da civilização pré-colonial que ocupou a área de Descalvados, no Pantanal da região de Cáceres, por pelo menos um milênio, entre os anos de 800 a 1800 depois de Cristo (D.C.). Os primeiros exploradores europeus que chegaram à região no Século 16 chamaram essas populações de Xarayés, que significa ‘donos do rio’.

A reconstrução foi feita através de uma parceria dos alunos de Computação e História da Unemat com o designer gráfico especializado Cícero André da Costa Moraes. O catarinense Cícero Moraes é um designer 3D que, através de programas de código aberto como InVesalius e Blender, tornou-se uma referência no campo da reconstrução facial forense no Brasil. Os trabalhos do designer acabaram por resultar em uma exposição intitulada ‘Faces da evolução’, na qual consta uma série de 13 painéis com modelos de rostos de hominídeos que já foi exibida no Museu Egípcio Rosa Cruz, em Curitiba, e também em outros países, como Itália e Peru. No ano de 2013, a revista Scientific American utilizou e creditou um dos trabalhos de Cícero. O designer também é responsável pela criação de grande parte dos materiais disponíveis em português brasileiro para o software livre Blender 3D.

O modelo da face reconstruída será confeccionado em forma de busto em impressão 3D, graças a uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e outros colaboradores. O busto será exposto a partir do ano que vem no Museu de Arqueologia, Etnografia, Paleontologia e Espeleologia da Unemat em Cáceres.

O trabalho foi realizado como parte da 8ª edição do Congresso da Escola Regional de Informática de Mato Grosso (ERI-MT). Com o tema ‘Computação e seus elos digitais: Das revoluções em curso e do curso de algumas revoluções’, o evento foi realizado pela primeira vez no município de Cáceres entre os dias 27 e 29 de novembro, em uma parceria entre a Unemat, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), a Faculdade do Pantanal (Fapan) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT).

O professor de computação da Unemat e um dos pesquisadores envolvidos no projeto, Gleber Nelson Marques, ressaltou que trabalhos como a reconstrução do crânio possibilitam a preservação de descobertas arqueológicas e o acesso da população a elas. “A Computação e suas aplicações têm importância central e estratégica para o mundo, e em especial em um estado como Mato Grosso para viabilizar desenvolvimento responsável e sustentável”, afirma o professor Gleber Nelson Marques, um dos organizadores do evento.

O evento trouxe à tona discussões acerca de três notáveis revoluções tecnológicas em curso, que decorrem do desenvolvimento de aplicações da Computação: as revoluções da informação, da comunicação e da produção, privilegiando uma visão multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar da Computação e suas aplicações.

A Escola Regional de Informática de Mato Grosso (ERI-MT) é promovida anualmente pelas Instituições de Ensino Superior (IES) do Estado de Mato Grosso desde 2009. O evento é reconhecido entre os principais congressos científicos de Computação e de Tecnologia da Informação do Estado e é apoiado pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

Buscando oferecer um espaço de discussão acadêmica especializada, o congresso proporciona aos participantes e visitantes acesso às sessões técnicas para discussão dos trabalhos completos aceitos e às exposições de pôster para os artigos curtos durante o dia, além das conferências e palestras com especialistas e personalidades durante as noites, mostras tecnológicas como robótica, drones e impressão 3D.

Dentre os palestrantes, o destaque foi para os professores Josiel de Figueiredo e Nielsen Cassiano Simões, ambos da UFMT; professor Adriano Cardoso Barreto, da Faculdade de Sinop (Fasipe); e Eduardo Rocha Rodrigues, da companhia multinacional de tecnologia International Business Machines Corporation, a famosa IBM.

O ERI-MT também recebeu o Programa Meninas Digitais, que surgiu a partir de discussões no Women in Information Technology (WIT, do inglês, Mulheres em Tecnologia da Informação), evento base do Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC). O WIT é uma iniciativa da SBC para discutir assuntos relacionados às questões de gênero e a Tecnologia de Informação (TI) no Brasil por meio de histórias de sucesso, políticas de incentivo e formas de engajamento e atração de jovens, especialmente mulheres, para as carreiras associadas à TI.

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