Sem esconder a emoção, Alice Katitãuhlu, 23, deu início, nesta segunda-feira, 31, ao que chamou de realização de um sonho. Um sonho do cacique Américo Katitãuhlu, da Terra Indígena Sararé, que sempre lutou para que o seu povo tivesse autonomia, liberdade, paz e a terra onde pudessem viver com suas tradições e costumes. Um sonho também de Alice, filha do cacique, que vislumbra a possibilidade de ser professora do seu próprio povo.
“Meu pai sempre quis que eu fosse professora. Então, meu pai está muito feliz. Pretendo levar os estudos até o final. Muitas pessoas na Aldeia querem fazer faculdade, querem fazer enfermagem, direito, engenharia. Tenho sorte de estar fazendo um curso e vou fazer de tudo para que meus irmãos indígenas também façam o curso que desejam”, disse Alice.
A Secretaria Municipal de Educação de Conquista D´Oeste mantem a Escola da Aldeia Sararé Central da Terra Indígena Sararé e oferece apoio estrutural, como acesso à Internet e transporte. Nessa aula inaugural do curso de Pedagogia, a Secretaria Municipal disponibilizou o acesso à Internet, o transporte e os equipamentos necessários para que Alice pudesse acompanhar as aulas.
Para a professora Rita de Cássia Beck de Oliveira, mestranda em Educação pela Unemat, que estuda a Alfabetização indígena entre o povo, "esse momento é notório na vida do povo Katitãuhlu e é parte de um processo de longos anos de lutas por suas terras. Nos dias atuais a luta é feita com armas diferentes e a Educação é a arma mais eficiente para enfrentar os desafios da modernidade. De modo que o acesso de Alice Katitãuhlu na Diretoria de Gestão de Educação à Distância (Dead) possibilita a valorização da identidade do povo da cultura", disse a professora Rita.
O processo de alfabetização do povo Nambikwara da Terra Indígena Sararé é relativamente recente. Foi organizado pela Missão Cristã Brasileira (MCB) a partir da década de 1990. Para o professor Sérgio Beck de Oliveira, que passou 11 anos morando na Aldeia Central e trabalhando com a alfabetização dos indígenas, houve algumas dificuldades e conflitos no início dos trabalhos que depois foram superados com alegria: “Havia uma dúvida por parte dos indígenas se deveriam ser alfabetizados em português ou na língua indígena. A Alice foi uma das nossas alunas que foi alfabetizada na língua materna, entre outros indígenas, de modo que vamos continuar apoiando as iniciativas do povo Nambikwara, com respeito e admiração”, disse o professor, que também é mestrando em Linguística pela Unemat.
A comunidade indígena já dispõe de professores formados pelo Projeto Hayô, um programa que formou professores indígenas no Ensino Médio, idealizado pela Secretaria Estadual de Educação do Mato Grosso (Seduc) e levado a cabo pela Unemat, que há 20 anos oferece cursos, especializações, graduações e pós-graduações com a temática e para o público indígena.
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