AS BRUXAS DE SALÉM (THE CRUCIBLE) DE ARTHUR MILLER: APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS ENTRE A PEÇA E A PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA

Wélica Cristina Duarte de Oliveira

Resumo


Este artigo visa propor uma reflexão sobre duas obras de dois gêneros diferentes: uma peça teatral e uma produção cinematográfica: a peça As Bruxas de Salém (The Crucible), do dramaturgo norte-americano Arthur Miller, escrita no ano de 1953 e sua adaptação para o cinema, que leva o mesmo nome, de 1996. Levando em conta as discussões dentro da disciplina de Literatura Comparada, observamos alguns pontos de encontros e desencontros entre as duas produções, longe do viés da supremacia de um gênero sobre outro. Para guiar nossa reflexão, buscamos observar as abordagens de certos enredos, temáticas e personagens, principalmente o das personagens femininas. Ao assistir algumas cenas do filme, é possível observar que alguns estereótipos femininos sobressaem-se um pouco mais do que na peça, pois o filme parece utilizar alguns recursos para intensificar certas relações, beneficiando a imagem do protagonista. O propósito deste trabalho é pensar sobre o produto final, e com isso, propõe uma reflexão sobre a transposição de um texto para outra linguagem, com suas riquezas, que, embora priorize algumas leituras postas em primeiro plano em alguns casos, descortina brechas que expõem um processo de desencontrar para reencontrar, numa harmonia que prevalece na mensagem final transmitida pelas duas linguagens.


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