Mato Grosso, Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020     
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Discurso de Constituição da Fronteira de Mato Grosso

Autor(es): Olga Maria Castrillon-Mendes.

Os textos resultantes das viagens de conquistas e exploração constroem sentidos pelos quais o Brasil passa a significar. Produzem, assim, um rico acervo de informações sobre a terra, o povo e, no caso desta pesquisa, sobre uma das maiores fronteiras geográficas do país, balizada pelos rios Guaporé, tributário do Amazonas, e Paraguai, o mais importante formador da planície inundável do Pantanal, no interior da América do Sul. São Cartas e Instruções que resultam de uma relação política e jurídico-administrativa estabelecida entre a Coroa Portuguesa e o Mato Grosso colonial. As Cartas, escritas por D. Antonio Rolim de Moura e D. Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, respectivamente, primeiro e quarto capitães-generais da Província de Mato Grosso, no século XVIII, estão relacionadas às Instruções emanadas da metrópole e se configuram como relatórios. Têm cunho oficial, mas são também narrativas do cotidiano político da Província e descrições detalhadas, comentários da administração e análise científica dos dados coletados.As Instruções são vistas como o instrumento legal formador dos sentidos produzidos sobre a fronteira e funcionam como elo de manutenção de uma unidade política. Como procedimento jurídico-administrativo traçam os preceitos para manutenção do poder que é transferido, na colônia, aos governantes que dão acesso à voz do colonizador.Desse modo, esses documentos fazem a nossa história com as suas (deles) letras, num abrangente processo de apropriação. Alguns questionamentos nortearam a investigação: a) A relação das Cartas com as Instruções determinam o respeito à fronteira, construindo os limites determinados? b) Se a correspondência oficial não assegurava o respeito à fronteira, que mecanismos foram utilizados para configurar/desenhar o traçado oficial do país? c) Seriam os processos de nomeação responsáveis pela fixação da fronteira?Tais questões se colocam na posição teórica da Análise de Discurso na qual se inscreve a pesquisa, tendo como eixo central os espaços polêmicos das maneiras de ler o arquivo proposto por Michel Pêcheux.

Número de páginas: 106 p.

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